domingo, 16 de maio de 2010

quando o normal passa a patológico.

Enquanto me revejo em cada uma das tuas palavras paro para me questionar : o que leva alguém a aguentar tanto? Estaremos nós tão subestimados que pensamos que o melhor que conseguimos alcançar é isto? O que nos leva querer olhar para o outro lado quando tudo se passa bem à nossa frente? Falam-me em amor, falam-me em perdão, falam-me em errar ser humano. Mas será que isso justifica tudo aquilo a que tenho assistido (vivido) nos últimos anos? É normal mentir? É mais normal ainda mentir, ser apanhado na mentira e voltar a mentir? Até que ponto é possível construir algo sólido sobre uma mentira? Até que ponto se considera ser amor, quando todos os actos não são mais que o egoísmo puro e desejo do momento? Quem desenhou a linha entre o real e o imaginário marcou-a tenuemente. Quando deixamos nós de querer melhor, de merecer melhor? Quando deixamos nós de perceber que há coisas para as quais, simplesmente, não há justificação possível? Penso-te como um ser patológico e maior foi a minha patologia por, em qualquer altura, ter desistido de mim em prol de ti. E se eu não tivesse dito "chega"? Se não tivesse decidido dar o passo em frente e deixar-te para trás? Consegues imaginar a cronicidade da doença? Consegues perceber o nível de toxicidade que seria atingido? Alguma vez serias tu capaz de te internar? Não, não era amor. Não era normal. Não era coisa alguma. Agora que me encontrei, que agarrei de novo a minha força, percebo o quão desnecessário foi tudo, tivesse sabido eu dizer chega, logo de início. Confesso que não consigo ainda rir-me de tudo, imaginar-te como uma grande anedota (que no fundo foste). Sinto sim que aprendi bastante. Posso dizer-me, finalmente, imune à tua patologia. Obrigado, pois foste a minha vacina.

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